O aprendizado construído entre pai e filha foi o ponto de partida para que a empreendedora Juliana Montagner, de Ilópolis, no Vale do Taquari, desenvolvesse uma inovação capaz de apresentar a erva-mate a consumidores que nunca tiveram contato com o chimarrão. Neste Dia dos Pais, o Sebrae RS destaca a trajetória da empresária como exemplo de que os maiores legados familiares nem sempre estão na continuidade de um negócio, mas no conhecimento, nos valores e na paixão pelo que se faz: elementos capazes de inspirar novos empreendimentos e impulsionar a inovação.
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A história da família de Juliana com a erva-mate atravessa gerações. Seus bisavós, imigrantes italianos, chegaram ao Rio Grande do Sul em 1886 e passaram a trabalhar com a colheita e o processamento da planta. Cem anos depois, seu pai participou da fundação de uma das tradicionais indústrias ervateiras do Estado, ambiente em que ela cresceu acompanhando o cultivo, a industrialização e os cuidados necessários para garantir a qualidade da matéria-prima.
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“Foi com meu pai que aprendi a conhecer e respeitar a erva-mate. Da lavoura à indústria, ele me ensinou a observar cada detalhe da planta e entender seu potencial. Na época, eu não imaginava que esse aprendizado seria a base para uma ideia completamente nova”, conta.
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Anos depois, durante um MBA voltado à internacionalização de pequenas e médias empresas, realizado na Itália, Juliana decidiu pesquisar o consumo de erva-mate no mercado europeu. O resultado foi surpreendente: cerca de 80% do produto comercializado no país era consumido por brasileiros, especialmente gaúchos.
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A descoberta despertou uma inquietação que mudaria sua trajetória. Se a cuia não havia conquistado o consumidor europeu, de que outra forma a erva-mate poderia chegar até ele?
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Foi em busca dessa resposta que ela iniciou sua formação como sommelière de chás e participou de uma expedição técnica à China. Durante a visita, acompanhou de perto a colheita dos brotos da Camellia sinensis, planta que dá origem aos chás verde, preto, branco e outras variedades. Naquele momento, percebeu uma diferença fundamental entre as duas culturas: enquanto o chá é produzido a partir dos brotos recém-colhidos, a erva-mate tradicional utiliza folhas maduras. Foi ali que surgiu a ideia que mudaria os rumos de sua carreira.
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“Enquanto observava a colheita, pensei: ‘E se fizermos com a erva-mate o mesmo processo utilizado na produção do chá?’. Todo o conhecimento que eu havia recebido do meu pai aflorou naquele instante. Percebi que poderia dar uma nova vida à planta que sempre fez parte da história da minha família”.
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De volta ao Brasil, Juliana reuniu especialistas, trouxe um consultor da Índia e iniciou uma série de pesquisas até realizar, em Ilópolis, a primeira colheita de brotos de erva-mate para produção de chás verde e preto. A ideia que nasceu durante a viagem à China deu início a uma jornada de quase 20 anos de estudos, pesquisas, consultorias, desenvolvimento tecnológico e validação internacional. O trabalho resultou em processos patenteados no Brasil e em outros 20 países, além de conquistar premiações em Paris.
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Para a empreendedora, a maior conquista foi perceber que tradição e inovação podem caminhar juntas. “Encontrei uma forma de levar a erva-mate, em formato de xícara, a lugares onde a cuia nunca conseguiu chegar. É uma maneira de honrar a história da minha família, mas construindo um caminho próprio”, destaca.
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O projeto também nasceu com um propósito social. A colheita dos brotos gera maior valor agregado para a produção e permite remunerar os agricultores com valores significativamente superiores aos praticados no cultivo convencional, incentivando a permanência de jovens e famílias no campo. Além disso, a empresa prioriza a participação feminina tanto na colheita quanto na indústria, ampliando o protagonismo das mulheres em um setor tradicionalmente ocupado por homens.
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Histórias como a de Juliana ilustram como conhecimentos transmitidos dentro das famílias podem se transformar em soluções inovadoras quando encontram espaço para pesquisa, gestão e desenvolvimento. Para o gerente regional do Sebrae RS, Gustavo Rech, esse é um dos caminhos para fortalecer os pequenos negócios: “Quando falamos em legado familiar, muitas pessoas pensam na continuidade de uma empresa. Mas, para o empreendedorismo, o maior patrimônio costuma ser o conhecimento acumulado ao longo dos anos. É esse aprendizado que permite inovar, desenvolver produtos diferenciados, acessar novos mercados e aumentar a competitividade dos pequenos negócios”.
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Segundo Rech, o Sebrae RS atua justamente para apoiar empreendedores que transformam experiência, tradição e propósito em oportunidades de crescimento. “Nosso papel é oferecer conhecimento, ferramentas de gestão e estímulo à inovação para que ideias como a da Juliana possam se desenvolver, ganhar mercado e gerar impacto positivo para toda a cadeia produtiva. Quando tradição e inovação caminham juntas, quem ganha é o empreendedor, a economia e a sociedade”, complementa.
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Neste Dia dos Pais, a trajetória de Juliana Montagner mostra que algumas heranças não cabem em documentos ou contratos. Elas estão no exemplo, na dedicação e no conhecimento compartilhado ao longo da vida. Foi esse patrimônio, cultivado desde a infância ao lado do pai e amadurecido ao longo de quase duas décadas de estudos, pesquisas e experiências internacionais, que permitiu transformar uma tradição centenária em uma inovação capaz de apresentar a erva-mate a consumidores de diferentes partes do mundo.

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