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Ajuste fiscal em 2027 é inevitável, dizem economistas em painel na Mercopar

Em debate mediado por Giane Guerra, especialistas de Fecomércio, FIERGS e Farsul analisam os rumos do mercado
Por Sebrae RS
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Se existe um consenso entre os economistas que subiram ao palco da 35ª Mercopar nesta semana, é este: o Brasil chega a 2027 com uma conta que precisará ser paga, e o ajuste fiscal será inevitável, independentemente de quem vencer as eleições. O alerta dominou o painel “Projeções econômicas para 2027: perspectivas para o RS e o Brasil”, que reuniu Antônio da Luz (Farsul), Patrícia Palermo (Fecomércio-RS) e Giovani Baggio (FIERGS), com mediação da jornalista Giane Guerra, do Grupo RBS.

O tom foi definido na abertura. “Não tem nada mais importante para fazer em 2027 que não seja ajuste fiscal”, afirmou Luz. Os números apresentados pelos três economistas ajudam a dimensionar o desafio. Segundo o economista da Farsul, levantamentos apontam para mais de R$ 300 bilhões em despesas adicionais previstas para 2027, sem fonte de custeio, resultado de pacotes anunciados em período eleitoral.

Patrícia, por sua vez, trouxe a perspectiva histórica. Entre 2010 e 2023, a receita líquida do país cresceu 31,6% (ajustada pela inflação), enquanto a despesa avançou 50%. O principal vilão, segundo a economista da Fecomércio-RS, é a previdência: mais de R$ 1,1 trilhão por ano, com alta de 76% no período. Enquanto isso, os investimentos em infraestrutura e as despesas discricionárias caíram 20%. “Quando tudo vira despesa de natureza obrigatória, tem uma hora que a máquina para e, quando a máquina para, a gente sente”, resume.

Para Baggio, da FIERGS, a solução passa por sinalizar antes de agir: a previsibilidade, disse, é pré-requisito para a retomada – e a indústria gaúcha paga o preço da instabilidade de forma dupla. “A indústria gaúcha sofre duplamente com o juro elevado, porque somos produtores de bens de capital”, lembrou, citando o impacto nos custos financeiros do DRE das empresas e no avanço de recuperações judiciais e falências.

Se o cenário macro é adverso, o agronegócio gaúcho foi o ponto positivo do painel. “Com o agro, nós estamos otimistas. Não só vamos ter uma safra boa ano que vem, como vamos vender com preços bem melhores”, afirmou o economista da Farsul, citando o fim do El Niño no Sul e a esperada recuperação dos preços internacionais, o que permitiria aos produtores iniciar um processo de desalavancagem.

A aposta em novos mercados também apareceu como caminho: as exportações gaúchas para a Índia cresceram 130% em 2026, mercado apontado como estratégico para os produtos do Estado.

No encerramento, Giane Guerra frisou que as soluções para o Estado passam necessariamente pelo governo federal: “O que vai acontecer em Brasília é extremamente importante, porque o Rio Grande do Sul não é uma ilha”. Ela listou as pautas que dependem da União para destravar o Estado: a repactuação da dívida estadual, a prorrogação da suspensão de débitos pós-enchentes e a criação do Fundo Constitucional para as regiões Sul e Sudeste.

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