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Diferentes gerações revelam novas formas de empreender no Noroeste gaúcho

Experiências de três empreendedoras de Santo Ângelo mostram como momento de vida, aprendizado, propósito e identidade territorial influenciam a construção dos negócios
Por Sebrae RS
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A maneira de conduzir um negócio também muda conforme a vida avança. As formas de aprender, tomar decisões, lidar com riscos, definir prioridades e compreender o próprio trabalho são influenciadas pelas experiências acumuladas ao longo do tempo. Em Santo Ângelo, no Noroeste do Rio Grande do Sul, as histórias de Amanda Sarturi, Magna Liane Bergmann Rosa e Ângela Martins mostram, a partir de diferentes perspectivas geracionais, como esses fatores se relacionam com o lugar onde vivem e atuam.

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As experiências dialogam com a pesquisa “Gerações, Territórios e Empreendedorismo”, realizada pelo Sebrae RS com 58 empreendedores de diferentes regiões do Estado. O estudo analisou como fatores geracionais e territoriais interferem na jornada de quem está à frente de um negócio, identificando diferenças nas motivações para empreender, nas formas de aprendizagem, no acesso a redes de apoio, no uso da tecnologia e na percepção de sucesso.

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Amanda Sarturi, proprietária do Grupo Protemax, começou a empreender há cerca de 12 anos. No início, concentrava diferentes funções, do atendimento aos clientes às questões técnicas, comerciais e administrativas. Com o crescimento da empresa, a experiência acumulada mostrou que avançar exigia não apenas mais trabalho, mas processos estruturados, formação de equipes e capacidade de delegar. “Acredito que essa evolução representa também uma mudança de geração: saí do ‘eu preciso fazer’ para o ‘precisamos construir juntos’”, resume a empresária.

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A maneira de buscar conhecimento também se transformou. Se, no começo, grande parte do aprendizado vinha da prática, dos erros e da necessidade de solucionar situações imediatas, hoje ela recorre a cursos, especializações, mentorias, eventos e à troca com outros empresários. A atuação junto ao Sindilojas Missões ampliou essa perspectiva, levando-a a observar os desafios sob uma ótica que ultrapassa os limites da própria empresa.

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Essa mudança acompanhou uma nova compreensão sobre o que significa alcançar bons resultados. Para Amanda, crescimento deixou de estar associado apenas a faturamento ou expansão e passou a envolver desenvolvimento de pessoas, autonomia e continuidade. “Hoje, sucesso é conseguir unir resultado, realização pessoal, desenvolvimento de pessoas e contribuição para a comunidade onde vivo e empreendo”, complementa.

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A abertura de uma unidade do Grupo Protemax em Ijuí representa parte desse processo. De acordo com a proprietária, ampliar a atuação sem romper os vínculos com Santo Ângelo significa levar para outros mercados um negócio construído no interior e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento da região onde sua história começou.

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Conhecimento e propósito

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Já na NUTIFRUTI, a sócia-proprietária Magna Liane Bergmann Rosa associa a fase da vida em que começou a atuar na empresa a uma maneira mais madura de tomar decisões, marcada por experiência, conhecimento e convicção. A disponibilidade de informações e

oportunidades de formação também ampliou as possibilidades de qualificação ao longo do caminho.

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Cursos e aperfeiçoamentos passaram a integrar esse processo e ajudaram a agroindústria a encontrar novas frentes de atuação. Uma delas surgiu a partir de uma capacitação em agroturismo realizada em Distrito Buriti. A partir da iniciativa, Magna idealizou e passou a coordenar o roteiro pedagógico “Do plantio à transformação”, que reúne três empreendimentos e apresenta aos visitantes diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo a produção de sucos da NUTIFRUTI.

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Segundo Magna, a proposta aproximou atividade empresarial, educação e turismo. A matéria-prima utilizada pela agroindústria é fornecida por pequenos produtores locais, enquanto as visitas permitem apresentar ao público o processo de produção e estimular o conhecimento sobre a cadeia. A nova frente também ampliou a percepção da empresária sobre os resultados que pretende alcançar. “Para mim, êxito nos negócios está relacionado diretamente a propósito, dom e talento. Poder transmitir conhecimento através do meu trabalho é muito gratificante. Posso garantir que me sinto realizada a cada visita”, comenta.

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A sócia-proprietária explica que o projeto permitiu aproximar realização pessoal e sustentabilidade financeira: “Pude unir conhecimento e empreendedorismo, tendo retorno financeiro, unindo propósito com financeiro”. A relação com a região também está presente nessa escolha. História, turismo e agronegócio formam, na sua avaliação, uma combinação que oferece diferentes possibilidades para novos projetos. “Temos um território riquíssimo e diversificado, o que nos proporciona opções de empreendedorismo”, destaca.

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Afeto, identidade e pertencimento

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Para Ângela Martins, proprietária e CEO da Casa Kombina, a idade em que iniciou sua atividade empresarial também foi determinante para as escolhas que fez. Ela começou em uma fase mais madura da vida, quando já carregava outras referências sobre trabalho, relações e prioridades.

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A empresária identifica na geração à qual pertence uma valorização do feito à mão, do contato presencial e das relações construídas com tempo. Esses elementos acabaram incorporados ao próprio conceito da Casa Kombina. “Eu não construí um negócio só para vender produto. Eu construí uma casa de acolhimento, de afeto, de união”, relata.

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A iniciativa começou em 2018, quando Ângela participava de feiras de rua e transportava os produtos em uma Kombi, dando origem ao grupo “A gente kombina”. Em 2021, a experiência ganhou um espaço colaborativo que atualmente reúne 28 artesãs.

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O modo de aprender também mudou ao longo desse percurso. No começo, a proprietária recorria principalmente à intuição e à prática. Atualmente, além de cursos, oficinas e ações do Sebrae RS, valoriza a escuta de artesãs, clientes e outras empreendedoras. Ela ressalta: “a maior mudança foi entender que aprender não é só fazer curso. É saber ouvir”. A troca com outras mulheres que empreendem passou a ocupar um papel importante nas decisões e na própria condução do espaço.

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Essa transformação aparece também na maneira como Ângela mede os resultados. No início, vender, pagar as contas e manter a loja abastecida eram referências de realização. Agora, ela considera igualmente importante acompanhar o impacto do trabalho sobre as pessoas que participam do projeto.

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Em sua avaliação, Santo Ângelo e as Missões são parte indissociável dessa construção. A história, a cultura e os símbolos da região aparecem nos produtos desenvolvidos pelas artesãs e ajudam a criar uma identidade própria para a produção local. Para a CEO, atuar fora dos grandes centros também carrega um significado. “Empreender aqui é manter viva a nossa identidade e gerar oportunidade para as mulheres da nossa terra”, diz.

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As três histórias mostram que idade e contexto não definem uma única maneira de conduzir uma empresa. As referências trazidas por cada geração se combinam com o momento de vida, as oportunidades de formação, as relações construídas e as características do lugar onde cada atividade se desenvolve. Em Santo Ângelo, essas diferenças aparecem em escolhas que vão da busca por crescimento e estruturação à transmissão de conhecimento, à valorização da cultura e à criação de oportunidades para outras pessoas.

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